Fiz amizade certa vez com um psiquiatra chamado Frederico e ele me contou alguns de seus casos enquanto esperava o ônibus. Um desses casos era o da Marilia, curioso, aparentemente engraçado, mas sombrio como todos os outros.
A família Passos morava no subúrbio de uma grande cidade, eram pai, mãe e duas filhas, Fernanda e Marilia. A casa deles ficava numa área de baixa renda e um córrego passava na parte de trás do terreno, separando-os de um lote compartilhado por outras 4 famílias, cada um em seu casebre de madeira erguido sobre pilares de tijolo nos cantos das casa. A casa dos passos ficava a certa distancia do córrego e mais alta que as outra casa, não havendo necessidade desse artificio de construção.
Nesse cenário bucólico e comum, Fernanda e Marilia cresceram, sendo muito bem cuidadas por seus pais, as duas ficavam a parte da tarde em casa sozinhas enquanto os pais trabalhavam, pela manhã ficavam na escola. Fernanda era quem fazia a maioria das coisas necessárias em casa, como esquentar o almoço e varrer a casa. Marilia ficava olhando para o terreno de trás, as vezes inquieta, as vezes muito concentrada.
A adolescência não trouxe grandes mudanças, a não ser os namorados de Fernanda, Marilia tinha poucas amigas, mas só as via na escola, o resto do tempo ela ficava em casa, lendo, assistindo TV e de vez em quando encarando o terreno de trás.
Certa vez, Fernanda ouviu gritos e vidro quebrando ao longe, e ouviu Marilia esbravejar algo. Parou tudo que estava fazendo e foi olhar a irmã, que estava caminhando lentamente em direção ao córrego. Ao se aproximar, Fernanda notou uma expressão de ódio na irmã. Um novo grito ao longe, Fernanda claramente ouvia vindo do outro terreno, no que sua irmã respondeu em seguida com "vai desgraça!" bem alto e com raiva enquanto caminhava. Fernanda chamou a irmã e a segurou, o que fez Marilia parar de imediato e olhar para Fernanda e falar tranquilamente "o que foi?". Fernanda pediu que elas voltassem para dentro de casa e foram, mas sempre que o som da briga soava no outro terreno, Marilia reagia energicamente, dava uns passos em direção a briga, mas Fernanda segurava ela novamente e as duas voltavam a rumar para casa.
Isso aconteceu mais vezes até que Frederico a atendesse em seu consultório, Fernanda foi quem contou a maioria das histórias enquanto Marilia culpava-se e chorava timidamente, jurando que não fazia aquilo por mal. Frederico sabia que ela nem sabia porque fazia, mas fazia.
O trem de Frederico sempre chegava nas horas inoportunas, ou ele era um bom contador de historias e sempre me deixava querendo saber mais, imaginando o resto da historia, ele me contou essa e parou aqui. O que aconteceu com Marilia depois disso? Fernanda e os pais convivem com isso até hoje? Quem eram aqueles vizinhos brigões? Me conte o que você achou dessa história e se tem noticias da Marilia, todos estamos curiosos!
A família Passos morava no subúrbio de uma grande cidade, eram pai, mãe e duas filhas, Fernanda e Marilia. A casa deles ficava numa área de baixa renda e um córrego passava na parte de trás do terreno, separando-os de um lote compartilhado por outras 4 famílias, cada um em seu casebre de madeira erguido sobre pilares de tijolo nos cantos das casa. A casa dos passos ficava a certa distancia do córrego e mais alta que as outra casa, não havendo necessidade desse artificio de construção.
Nesse cenário bucólico e comum, Fernanda e Marilia cresceram, sendo muito bem cuidadas por seus pais, as duas ficavam a parte da tarde em casa sozinhas enquanto os pais trabalhavam, pela manhã ficavam na escola. Fernanda era quem fazia a maioria das coisas necessárias em casa, como esquentar o almoço e varrer a casa. Marilia ficava olhando para o terreno de trás, as vezes inquieta, as vezes muito concentrada.
A adolescência não trouxe grandes mudanças, a não ser os namorados de Fernanda, Marilia tinha poucas amigas, mas só as via na escola, o resto do tempo ela ficava em casa, lendo, assistindo TV e de vez em quando encarando o terreno de trás.
Certa vez, Fernanda ouviu gritos e vidro quebrando ao longe, e ouviu Marilia esbravejar algo. Parou tudo que estava fazendo e foi olhar a irmã, que estava caminhando lentamente em direção ao córrego. Ao se aproximar, Fernanda notou uma expressão de ódio na irmã. Um novo grito ao longe, Fernanda claramente ouvia vindo do outro terreno, no que sua irmã respondeu em seguida com "vai desgraça!" bem alto e com raiva enquanto caminhava. Fernanda chamou a irmã e a segurou, o que fez Marilia parar de imediato e olhar para Fernanda e falar tranquilamente "o que foi?". Fernanda pediu que elas voltassem para dentro de casa e foram, mas sempre que o som da briga soava no outro terreno, Marilia reagia energicamente, dava uns passos em direção a briga, mas Fernanda segurava ela novamente e as duas voltavam a rumar para casa.
Isso aconteceu mais vezes até que Frederico a atendesse em seu consultório, Fernanda foi quem contou a maioria das histórias enquanto Marilia culpava-se e chorava timidamente, jurando que não fazia aquilo por mal. Frederico sabia que ela nem sabia porque fazia, mas fazia.
O trem de Frederico sempre chegava nas horas inoportunas, ou ele era um bom contador de historias e sempre me deixava querendo saber mais, imaginando o resto da historia, ele me contou essa e parou aqui. O que aconteceu com Marilia depois disso? Fernanda e os pais convivem com isso até hoje? Quem eram aqueles vizinhos brigões? Me conte o que você achou dessa história e se tem noticias da Marilia, todos estamos curiosos!
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