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E-mail para Henrique

Mais uma vez lhes conto um caso que Frederico usou para puxar assunto comigo, lembram dele, o psiquiatra? O trem demorou um pouco mais aquele dia, mas Frederico pôs detalhes, então não consegui ouvir tudo, mas leia só: O dia sorria lá fora, coberto apenas pela cortina do quarto de Henrique, que levantou-se lentamente, arrastando-se da cama, como se desprendesse de seu lugar de origem, se forçando a viver uma vida que não queria para si. Foi até a cozinha e ligou a cafeteira antes de separar alguns trocados para comprar pão no mercado próximo de sua casa. Eram somente duas quadras, no máximo 7 minutos, o suficiente para chegar em casa com o café pronto, quente e o esperando. No caminho, tanto de ida quanto de volta, as ruas calmas de seu bairro eram praticamente vazias, só com algumas senhoras e uns senhores varrendo seus quintais, olhando o movimento, pegando o sol da manhã, saindo de seus prédios para também irem comprar o pão da manhã. Já em casa, tomou seu café e comeu seu pão...