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E-mail para Henrique

Mais uma vez lhes conto um caso que Frederico usou para puxar assunto comigo, lembram dele, o psiquiatra? O trem demorou um pouco mais aquele dia, mas Frederico pôs detalhes, então não consegui ouvir tudo, mas leia só: O dia sorria lá fora, coberto apenas pela cortina do quarto de Henrique, que levantou-se lentamente, arrastando-se da cama, como se desprendesse de seu lugar de origem, se forçando a viver uma vida que não queria para si. Foi até a cozinha e ligou a cafeteira antes de separar alguns trocados para comprar pão no mercado próximo de sua casa. Eram somente duas quadras, no máximo 7 minutos, o suficiente para chegar em casa com o café pronto, quente e o esperando. No caminho, tanto de ida quanto de volta, as ruas calmas de seu bairro eram praticamente vazias, só com algumas senhoras e uns senhores varrendo seus quintais, olhando o movimento, pegando o sol da manhã, saindo de seus prédios para também irem comprar o pão da manhã. Já em casa, tomou seu café e comeu seu pão...
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Eleanora e Charles

Vocês não sabem o perrengue que foi para conseguir essa, quase fui baleado por um agente da antiga KGB, mas esse foi um relato mandado por Alias: Sharpey. A noite chuvosa iluminada por relâmpagos tornava o mar mais agitado e barulhento, o cais da cidade parecia mais sombrio e triste, Eleanora segurava seu choro com a mesma força que abraçava Charles, que também a envolvia com seus fortes braços. A situação era muito estranha para os dois, acostumados a não demonstrarem sentimentos verdadeiros. O capote de Charles o protegia da chuva, ficando mais escuro na parte molhada, enquanto que o de Eleanora era preto, apenas refletindo claridade na parte onde a chuva o molhava, uma pequena marquise era o que os protegia. Os cabelos dela estavam soltos e eram volumosos e longos até o meio das costas, com um ondulado que deixava os cabelos castanhos avermelhados ainda mais bonitos. Charles mantinha um corte curto e usava uma boina italiana marrom que cobria seus cachos loiros. Ambos trocavam...

A Loira Assassina

Quem me contou essa foi um estudante que estava passando pela cena do acontecido, ele dizia estar voltando de um encontro com uma garota da faculdade e teve o desprazer de assistir tudo aquilo. Era noite, a rua estava pouco movimentada dada a hora, algumas pessoas se aglomeravam em um barzinho, as luminárias de LED iluminavam o asfalto. Discretamente um carro branco com frisos pretos e foscos estacionou e a janela escura baixou lentamente, revelando uma garota loira, usando óculos escuros e mascando chiclete. Ela usava uma camisa de botões branca e uma jaqueta de couro, o rádio do carro tocava uma estação de rock local. Deitada sobre o banco estava uma caixa preta e comprida que guardava algo que foi montado sem pressa, com todos que estivessem atento conseguindo ver. Tão repentinamente quanto estacionou próximo aquele bar, deu um tiro com aquele rifle, subiu o vidro e saiu tranquilamente com o carro. Houve uma comoção no bar, uma gritaria, várias pessoas se aproximando da rua co...

O Talco

Maria Sanderson foi uma infectologista que morreu em decorrência de sua pesquisa, sua assistente, uma jovem que identificou-se somente como Sarah me entregou esse relato que vou lhes contar. Pelo que estava escrito, Maria foi designada para atuar junto ao exercito por conta de suas pesquisas com bactérias que causam infecções em humanos vindas de outros planetas, como as trazidas de Marte e da Lua Europa de Júpiter há uns anos. Os especialistas das agências espaciais já haviam alertado para o perigo dessas formas de vida, exobiólogos tornaram-se relevantes após as primeiras viagens tripuladas feitas vários anos atrás até nosso vizinho vermelho. Quando os alienígenas chegaram, foi pouco após a cura para a gripe vermelha vinda de marte. Os primeiros soldados a terem contato com nossos visitantes apresentaram reações terríveis de pele e posteriormente sua saúde se debilitou. O grupo de cinco foi estudado por Maria, que detectou uma infecção nas mucosas causada por uma bactéria trazida...

O caso da Marilia

Fiz amizade certa vez com um psiquiatra chamado Frederico e ele me contou alguns de seus casos enquanto esperava o ônibus. Um desses casos era o da Marilia, curioso, aparentemente engraçado, mas sombrio como todos os outros. A família Passos morava no subúrbio de uma grande cidade, eram pai, mãe e duas filhas, Fernanda e Marilia. A casa deles ficava numa área de baixa renda e um córrego passava na parte de trás do terreno, separando-os de um lote compartilhado por outras 4 famílias, cada um em seu casebre de madeira erguido sobre pilares de tijolo nos cantos das casa. A casa dos passos ficava a certa distancia do córrego e mais alta que as outra casa, não havendo necessidade desse artificio de construção. Nesse cenário bucólico e comum, Fernanda e Marilia cresceram, sendo muito bem cuidadas por seus pais, as duas ficavam a parte da tarde em casa sozinhas enquanto os pais trabalhavam, pela manhã ficavam na escola. Fernanda era quem fazia a maioria das coisas necessárias em casa, com...

A primeira história

Ninguém se lembra do ano exatamente em que aconteceu essa história, mas quem me contou me garante que foi real, então eu vou contar o que eu ouvi. Em uma casa na montanha vivia uma garota, filha de um pastor de ovelhas, seu nome era Hellen. Os dias de Hellen eram bem comuns para uma jovem de sua idade naquele tempo: ajudava sua mãe em tarefas de casa, fiava a lã tosquiada por seu pai, ia até o centro da vila próxima vender e comprar produtos. Certa vez, num inverno, o pão acabou e não havia farinha para fazer mais, então Hellen foi com seu pai para a vila para comprarem mantimentos, o dia parecia calmo, a neve caia tranquilamente, mas uma reviravolta estava para acontecer. No caminho para vila, um forte vento gelado trouxe uma nevasca repentina e Hellen e seu pai se viram presos no meio dela. A caminhada tornou-se um desafio, por mais agasalhados em lã que estivessem, o frio os cortava no rosto, enxergar era difícil, a estradinha logo estava com neve alta, dificultando...